O Sítio

Como éAntes de ser já era

O Sítio

Estoque inesgotável de sombra e água fresca

Nas raras vezes que nos perguntam quais os atrativos que a Pousada oferece, a resposta é direta: “sombra e água fresca”.

Em Pedras Rollantes nós apenas usufruímos dos predicados com que a natureza brindou o lugar, damos uma ajeitadinha aqui e uma arrumadinha ali e colocamos ao dispor de quem quer repor as energias consumidas pelo dia-a-dia de seus afazeres cotidianos.

Só que a resposta não está completa. É que aqui tem mais, muito mais atrativos do que apenas o estoque inesgotável de sombra e água fresca.

Sombra

As margens do Rio das Águas Frias estão sempre em mutação. A mata ciliar é constantemente reposta com espécies nativas, muitas delas trazidas pelos hóspedes que deixam aqui as marcas de sua passagem na forma de uma muda de araçá, de amora, de nêspera, de ipê, de canela, de araucária, a maioria delas plantadas no horto dos visitantes, uma área na várzea, entre o rio e a roça de culturas rotativas.

Considerando os pomares, as três pequenas áreas de reflorestamento, a reposição da mata ciliar e as árvores plantados pelos hóspedes e visitantes, pelo menos mais 4 mil árvores foram adicionadas àquelas que encontramos aqui quando adquirimos o terreno.


Água fresca

A água de beber sai das nascentes de dentro do terreno, que, ao todo, já contamos treze entre as perenes. Mas deve ter mais. As caixas de armazenamento não contam com boias de saída, o que faz com que a água que as abastece está sempre em movimento. Quando se abre uma torneira, faz pouco tempo que a água brotou na superfície. Está sempre bem fresca.

A água usada nas Casas da Pousada é destinada a uma estação de tratamento biológico à base de carvão ativado e raízes que a filtra e a devolve com elevado grau de pureza. Antes de chegar ao rio, a água já filtrada ainda percorre uma vala de irrigação com mais de cem metros e é adicionada à corrente tão pura como quando saiu da terra.

A águas usada nos Estúdios e na casa Enxaimel é purificada com filtros de areia e valas de infiltração antes de ser devolvida aos seus cursos naturais.


Muita água fresca

Somos agraciados pelo Rio das Águas Frias. Ele divide Pedras Rollantes com suas margens com quase mil metros de extensão, sendo que, mais da metade delas é de acesso bem fácil ao seu leito de pedras. Pedras que rolam. Onde a água é mais movimentada, ele é bem raso e seguro. Onde a água é mais tranquila, indica que o local é mais fundo, chegando a até três metros de profundidade. Mas são trechos bastante curtos e perfeitos para mergulhos e braçadas. O Águas Frias é um dos nascedouros Sul da bacia do Rio Itajaí Açu e um dos mais preservados de toda a região. Mas atenção, sua água não é potável.


Terra saudável

Há bem mais de uma década que nenhum agroquímico é utilizado para reparar o solo ou defender as plantas de ataques de organismos que prejudicam as árvores a ponto e a produção de frutas, hortaliças, grãos, legumes, tubérculos ou qualquer outro alimento que tiramos da terra.

Toda a produção segue as rígidas leis, normas e códigos de ética e de conduta que regem a agricultura orgânica e a agroecologia. Respeitamos os ciclos e trabalhamos para manter o solo bem nutrido. E ele nos devolve com safras saborosas e saudáveis. Experimente, num passeio pelo pomar, recolher um punhado de terra perto de uma árvore e sinta seu cheiro agradável e sua textura firme.  

A foto mostra a tagete erecta, o popular “cravo de defunto”, flor que espalhamos em meio aos pomares pela beleza e pelas suas características peculiares que fazem bem ao ambiente. Além de transferir hidrogênio do ar e retê-lo na terra, suas raízes combatem patógenos do solo e seu perfume é um eficiente repelente de insetos nocivos às folhas e aos frutos das árvores.


Ar puro

Praticamente a metade da área do Sítio Pedras Rollantes é composta por mata nativa. Quase tudo que era pastagem quando aqui chegamos, foi ou está sendo reflorestado, ou foi transformado em pomares. Além disto, não há indústrias pelas redondezas que lançam poluentes na atmosfera. E queimada também não é hábito na região. O ar é limpo, puro. Respire fundo!


Estrelas

Estamos bem perto da cidade, mas longe de suas luzes. As encostas do vale, que acompanham as curvas do Rio das Águas Frias, escondem a luz artificial do centro de Alfredo Wagner, o que permite uma fantástica observação do céu em noites sem nuvens, principalmente em períodos de lua nova.

A quantidade de estrelas que cintilam sobre as nossas cabeças raramente pode ser vista em outro local. Para quem está em qualquer das unidades da Pousada e quer ver a Via Látea em sua plenitude, por exemplo, basta virar o rosto na direção contrária do correr das águas do rio e olhar para o alto. Com um aplicativo no celular é possível localizar muitas das estrelas, planeta e constelações que brilham no céu de Pedras Rollantes.


Lua

Aqui ela aparece um pouco mais tarde em comparação com quando é avistada a partir do litoral ou do planalto. Ela não nasce no horizonte longínquo, surge logo ali, por detrás da verde mata, majestosa e brilhante em todas as suas fases. Nas noites de lua cheia não perca a oportunidade de sair caminhando pelo sítio. Não precisa nem levar uma lanterna.


Pássaros

Tudo que é pássaro da Mata Atlântica que habita esta região do Brasil tem aqui. E como não são incomodados, não se furtam de fazer ninhos bem diante de nossos olhos. A primavera é um espetáculo. É a época de acasalamento, quando os machos ficam ainda mais vistosos para encantar as fêmeas. É também quando constroem os ninhos e quando nascem os filhotes. O verão, com as famílias aumentadas, é uma festa de cores, como as desta ninhada de anus, e de trinados.

Um dos espetáculos mais marcantes para quem está na Casinha ou nos Estúdios Enxaimel acontece no final de todas as tardes, quando as garças brancas voltam para a seu ninhal, que fica a uns 5 quilômetros daqui. Como estas unidades estão uns 50 metros acima do nível do rio, na maioria das vezes elas voam abaixo dos nossos pontos de vista.


Frutas

Em todas as épocas do ano tem frutas nas árvores e elas são de consumo livre para os hóspedes. Pode colher e comer. Nossa principal atividade agrícola é a produção de citros com certificação orgânica emitida pela Rede Eco Vida de Agroecologia e pelo Ministério da Agricultura.

Desde abril, com as tangerinas okitsu, até o final do ano, com os últimos limões sicilianos ainda nas árvores, sempre tem um citro ou outro. Mas o melhor momento mesmo e do final de maio até a metade de julho, quando os pomares de tangerinas Clemenules estão no ápice da maturação. Junto com elas amadurecem outras tangerinas, laranjas e limões dos mais variados.

Depois chegam as nêsperas, as peras, as amoras, os caquis, as goiabas, os araçás, as pitangas… Fruta sempre tem.


Trilhas

Não temos trilhas demarcadas, mas indicamos os caminhos que podem ser percorridos. Além dos caminhos que estão à vista, dá para se embrenhar na mata, caminhar no leito de um arroio e curtir uma queda d’água de pouco volume na encosta da margem direita. Ou seguir a estrada, caminhar por dentro de uma área reflorestada e alcançar o banco vermelho colocado na parte mais alta do terreno, de onde se descortina todo o Vale.


Cantinhos

Diversos outros bancos vermelhos estão espalhados pelo Sítio. Dá para sentar embaixo de uma amoreira, apreciar o correr das águas a partir da margem direita ou levá-lo, são leves, para onde achar mais interessante.

Próximo à Casa da Cama tem um deque suspenso sobre a água, com cadeiras e uma mesinha para dar apoio à garrafa e as taças de vinho. Após o paço tem outro, que é destinado à preguiça sob as sombras da mata ciliar.

Na margem esquerda tem dois bancos muito interessantes. Um junto ao passo do rio e o outro um pouco mais adiante, na curva do rio. Foram feitos com fatias de um tronco de canela que por mais de meio século serviu de pilar para a antiga ponte que ligava o centro de Alfredo com o bairro Águas Frias, onde estamos. Uma daquelas famosas enchentes de Santa Catarina, ocorridas na década de 1980, derrubou a ponte. Muitos anos mais tarde, uma seca extrema deixou o pilar a mostra, foi recolhido, fatiado e nos foi dado de presente.


Como há milênios

Antes de nós, colonizadores, e até pouco mais de um século atrás, quem vivia nestas margens eram os Xoclengues, nação nômade de caçadores/coletores que dividia o território que hoje é Santa Catarina com os Caingangues e os Guaranis. Entre outras coisas que faziam por aqui, estava a manufatura de seus artefatos de uso cotidiano usando as pedras do rio.

Tem um cantinho dentro do Sítio onde é possível se colocar em meio a uma paisagem sem nenhuma intervenção humana à vista, que acreditamos, ser a mesma que eles encontraram quando davam um tempo aqui pelo vale. A partir da curva do rio, onde tem o banco que foi pilar da ponte, basta caminhar pelo horto dos visitantes ou sobre as pedras até os limites do terreno. Ali só se vê mata nativa intocada de um lado, mata ciliar do outro, rio e céu.



Sustentabilidade

Antes de ser já era

O Sítio Pedras Rollantes foi adquirido em 2004 como resultado dos rendimentos dos trabalhos que realizávamos na Tempo Editorial, nossa antiga empresa, onde nos dedicávamos à produção de livros de arte. O terreno pertencia a Dona Nêga, que havia enviuvado e os filhos já estavam encaminhados em outras atividades. A propriedade ficou pesada para ela tocar sozinha o trato com as vacas de leite e a pequena agricultura de grãos.

Nosso primeiro movimento foi o de desmontar a casa que era usada pela família de Dona Nêga e remontá-la em um local que nos parecia ser mais agradável, considerando o uso que pretendíamos dar ao Sítio.

Naquele tempo, há quase 20 anos, a palavra “sustentabilidade” não tinha a força e a premência que têm hoje.  Mas ela já fazia parte de nosso vocabulário e de nosso cotidiano na Editora.

A Tempo Editorial, já em 2002, foi a primeira editora brasileira a compensar a emissão de carbono em todas as suas atividades. Do consumo de energia no escritório até a queima de combustíveis em viagens, da quantidade de papel usada nos livros até os serviços nas gráficas relacionados com a impressão de cada volume contratado, tudo era compensado com a reposição de mata nativa na região Sul do Brasil. Foram milhares de árvores replantadas e as ações eram auditadas por empresa internacional certificada para este fim.

Trazer a filosofia do uso racional dos recursos naturais e ambientais para Pedras Rollantes é só a continuação do que já fazíamos há muito tempo.


As casas dos que moram aqui

Entre 2004 e 2010 havia apenas uma moradia em Pedras Rollantes. Era a casa original do Sítio, a que foi relocada do lugar onde estava originalmente, colocada em um ponto que consideramos mais interessante para o nosso uso. Desde 2010 a Casa é apenas da Lu e do Tarcísio, que passaram a morar definitivamente no Sítio em 2013.

A primeira casa do sítio foi relocada em 2004, recebeu adaptações e desde 2013 é a moradia de Lu e Tarcísio

Quase tudo foi reaproveitado, incluindo as madeiras das paredes, janelas, piso e telhas e o que foi ampliado, como a implantação de uma varanda, da cozinha e banheiros, foi feto com material adquirido na cidade e com mão de obra local.

Os ranchos de trabalho, muito antigos, por sinal, foram recuperados e neles estão a marcenaria do Sítio, um pequeno depósito, uma garagem e o galinheiro.

Quando não era usada para encontros ampliados com amigos, era habitada em sistema de rodízio entre nós, os proprietários.

A Casa Enxaimel estava em ruínas na Serra Gaúcha, Eduardo a comprou e a remontou para ser sua residência.

Em 2010 Eduardo encontrou na serra gaúcha uma casa enxaimel em estado de deterioração, comprou, desmontou e transportou os quase dez mil tijolos, todo o madeirame, aberturas, portas, janelas, assoalho e peças do telhado para Pedras Rollantes. Com a consultoria de arquitetos especializados em patrimônio e com a coordenação da mão de obra a cargo do mesmo experiente construtor que a desmanchou, a remontou na encosta da margem direita do Vale, o local que Eduardo escolheu para morar.


A madeira

Um sítio precisa de muita madeira. Sempre tem que fazer uma cerca, um galpão, reformar alguma coisa. Aqui é frio no inverno e os ambientes precisam ser aquecidos. Quando adquirimos a parte oeste da propriedade, em 2008, num pedaço da encosta da margem direita já havia sido implantado uma pequena área de reflorestamento com eucaliptos.

O reflorestamento com eucaliptos, ao fundo, fornece madeira para diversos usos em Pedras Rollantes

Uma outra área que havia sido usada para pastagens pelo antigo proprietário, mas que é muito íngreme e que estava se desmanchando em voçorocas, foi reflorestada por nós, também com eucaliptos, árvore que enraíza rápido e segura o morro.  E uma terceira, bem pequena e na parte mais alta do terreno, recebeu também algumas mudas desta conífera exótica para extração de madeira.

Toda a lenha que é queimada por aqui vem dos desbastes destas árvores, assim como parte das madeiras usadas para os mais diversos fins.


Agricultura

Em se plantando tudo dá, mas há quem muda muita coisa no solo e no ambiente para que as plantas deem aquilo que querem.  

Para não mudar nada, o primeiro pomar implantado em Pedras Rollantes foi experimental. Três anos após serem colocadas na terra, as mais de 200 mudas de árvores frutíferas de diversas espécies e variedades nos disseram que o solo, o clima, o regime de chuvas e a insolação são legais para citros.

Os pomares de Clemenules, o citro escolhido para ser o carro chefe de nossa produção agrícola, foram implantados sem alterações topográficas, sem valas ou sistemas de irrigação e com ajustes mínimos e localizados na correção do ph do solo. E desde os primeiros momentos deixamos de lado os agroquímicos e buscamos a certificação orgânica ainda antes da colheita da primeira safra.

A área para culturas rotativas, onde é cultivado o milho e o sorgo usado para a alimentação das galinhas que nos dão os ovos, mais cebolas, tomates, batatas, melancias, abóboras, e etc., para nossos consumos e para abastecer as cestas de alimentos da Pousada, também tem condução orgânica, embora os produtos não sejam certificados.

A cobertura do solo é constante, mesmo em períodos de safra

As hortas que abastecem as nossas casas com verduras e temperos são pequenas e seguem os mesmos princípios de rotação de culturas, conservação, enriquecimento orgânico do solo e zero agroquímico .


Meio de vida

A decisão de tirar daqui os nossos sustentos e meios de vida começou com os investimentos nos pomares, mas como são safras sazonais, e como apenas os resultados da pequena agricultura anual não dão camisa, precisamos diversificar.

 O primeiro passo foi a abertura do Café no Sítio, quando Lu e Tarcísio passaram a receber visitantes nas tardes de domingos para participarem de um café em meio a paisagem. Era servido apenas com produtos locais, sazonais, preferencialmente orgânicos e preparados por eles mesmos.

Era. Agora, enquanto houverem riscos de contágios pelo coronavírus, o Café permanecerá fechado.

Nenhum móvel foi comprado, tudo foi feito, a maioria a partir de outros móveis que haviam sido descartados aqui e acolá ou de sobras de madeiras de outras obras realizadas no Sítio. O Café no Sitio Pedras Rollantes é um dos dois únicos estabelecimentos que servem alimentos em Santa Catarina a figurar no “Mapa do Consumo Responsável”, iniciativa do Instituto Kairós.  

O Café os empurrou para a Pousada, desta vez com a participação também do Eduardo.


O material para a construção da Pousada

Logo após a decisão de fazer a Pousada Pedras Rollantes, fomos nas lojas de meterias de construção da cidade com a pergunta: sabe quem está construindo uma casa nova e desmanchando a antiga para comprarmos o material demolido?

Mas não é assim tão simples. Aqui, quem desmancha também usa o material para ceder para um filho que vai casar, para um parente que precisa reformar, para um galpão que precisa de construído ou ampliado.

Mas a comunidade de Barro Branco, a uns 15 quilômetros daqui, teve seu salão comunitário interditado pela defesa civil e a madeira derrubada na década de 1930 e usada primeiro para construir a igreja e depois, na década de 1980, reutilizada no salão de bailes, veio para cá.

A madeira que está sobre o caminhão que cruza o Rio Itajaí do Sul foi usada para a construção da Casinha, da Casa da Cama e da Casa Torta e praticamente todos os seus móveis.

Os vidros vieram da reforma de uma galeria comercial, em Florianópolis, os tijolos da demolição de uma casa no centro de Alfredo Wagner e as telhas são aquelas feitas com restos de asfalto e fibras vegetais.

A adequação da casa do Eduardo para a receber os dois Estúdios Enxaimel contou a participação de amigos na mão de obra e o todo o material utilizado na obra e na decoração também é proveniente de reaproveitamentos. As portas das duas áreas de banhos, por exemplo, eram parte de uma porta giratória de uma antiga agência do antigo Banco do Estado de Santa Catarina.

Tirando proveito da natureza

As águas de consumo são provenientes de nascentes que brotam dentro do terreno e chegam nas torneiras e chuveiros após saírem de fontes caxambu e passarem por filtros naturais.

O aquecimento da água nas Casas é através de um sistema solar e nos Estúdios, com gás. Já o aquecimento dos ambientes nos dias de inverno é com as salamandras à lenha. A madeira é retirada de nossas áreas reflorestadas.

O esgoto das casas passa por uma estação de tratamento a base de carvão ativado e raízes.

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